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Alexandre Herchcovitch, o enfant terrible da moda brasileira
Julho 14, 2008, 1:25 am
Arquivado em: Sem Categoria

Alexandre Herchcovitch é hoje um dos maiores nomes da moda brasileira e figurinha carimbada no circuito paulistano. Formado pela tradicional faculdade de moda Santa Marcelina, foi em 1993 que Alexandre fez seu primeiro desfile e mostrou que nascia ali um dos maiores talentos da moda no Brasil.

 

De lá pra cá, não parou mais. Ganhou as passarelas das semanas de moda de São Paulo, Londres e Nova York, abriu uma loja em Tóquio e chegou a negociar sua marca com o grupo I’M.

 

A criatividade de Alexandre Herchcovitch vai além do mundo fashion. Ele foi fotógrafo do “Jornal da Tarde”, faz trabalhos como DJ, fez participações como ator e apresentador, é diretor artístico de faculdade de moda, escritor e fã de parque de diversões.

 

Conversamos com o Alexandre durante entrevista coletiva para alunos do curso ‘SPFW – Por Lílian Pacce’. Ele foi muito simpático e contou um pouco sobre sua carreira, sua marca e expectativas para o futuro.

 

Como são escolhidos os temas da suas coleções?

Existem alguns temas que gosto e que sempre gostei, mas não tenho, na verdade, regra para escolher. Trabalho há 15 anos em parceria com o consultor criativo Maurício Ianes e a gente discute durante o ano todo vários temas e quando chega a hora de escolher já temos algumas idéias. Geralmente são temas ligados a situações que eu gosto ou que já fiz e que tenham a ver com o universo da marca. Também pode acontecer de trabalharmos um tema completamente oposto como um grande desafio.

 

O que te inspira para suas coleções?

Depois que o tema foi escolhido, o que mais me inspira é a construção da própria roupa e o desafio de pensar a melhor maneira de expressar o tema através da peça, da escolha do tecido, da forma.

 

Qual é a identidade da marca Alexandre Herchcovitch?

A minha marca procura sempre mostrar novas maneiras de cobrir o corpo ou novas maneiras de expressão. Isso é basicamente o que pensamos quando criamos qualquer produto da marca. Buscamos sempre uma maneira nova de fazer uma calça, um vestido ou uma blusa, pois queremos sair do lugar comum, da normalidade.

 

As dificuldades do início da sua carreira são muito diferentes das dificuldades de hoje?

Dificuldade tem o tempo todo. Realmente elas são muito diferentes, mas continuam até hoje. São vários os níveis de dificuldades. Às vezes você quer um tecido e não o encontra, por exemplo. Mas não vejo essas coisas como um problema, porque as dificuldades você consegue solucionar. No começo, as dificuldades são aquelas que qualquer pessoa tem quando inicia em qualquer carreira. Logo que comecei, que lancei minha marca, o estilo dela ainda não estava formado e isso demorou um tempo. Não é que em 1993, eu fazia uma roupa com total clareza e objetividade como eu faço hoje. Demorou muito para a marca tomar uma cara, um formato. Fora as dificuldades bobas do dia-a-dia, a grande dificuldade é criar a identidade da sua marca.

 

Como foi sua trajetória internacional? Como tudo começou?

Foi de uma maneira bem caseira e intuitiva. Tenho uma amiga que morava em Nova York e quando ela usava minhas roupas algumas pessoas perguntavam de quem era. Em 1996 ela teve a idéia de vender minha marca lá. Conseguiu encontros com compradores de nove lojas e consegui vender para três. No ano seguinte fiz a mesma coisa em Londres com uma amiga que morava lá. Em 1998, decidi que deveria desfilar também fora do Brasil. Foi quando fiz meu primeiro desfile internacional, em Londres. Desde então, nunca deixei de apresentar minhas coleções aqui e fora do Brasil.

 

Qual o seu maior desejo para sua marca atualmente?

Eu tenho um sonho de profissionalizar a minha empresa. Esse talvez seja o sonho que eu mais estou perseguindo hoje. Cansei de ter uma empresa que não é completamente organizada e isso está me consumindo muito. Estou passando por um processo de profissionalização bastante sério e acho que é isso que vai fazer com que a marca consiga crescer daqui pra frente. Com isso, pretendo expandir meus negócios aqui no Brasil e fora também. Chega uma hora que se você não profissionaliza você fica por mais dez anos daquele tamanho.

 

Foi pensando neste processo de profissionalização que você chegou a negociar sua marca com a I’M?

Foi também. Porque eu percebi que sozinho não conseguiria fazer. Eu tenho know how criativo e de confecção, mas administrativo eu não tenho. Por isso, preciso de alguém. Para eu crescer preciso de recursos próprios, o que eu não tenho, então preciso me associar.

 

O que deu de errado nesse processo?

O que deu de errado é que eles não tinham dinheiro para pagar. Só isso. Esse foi o grande erro.

 

Há pouco tempo falou-se sobre uma nova associação com uma outra empresa. Em que pé está esse processo?

Eu não estou associado.

 


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